Os perfumes Chypre ganham este nome em homenagem a uma ilha grega. Em meados dos século XX quem por lá pôde passear e viver conta que essa ilha rescendia magnificamente. Cheiros verdes densos brotando de sua vegetação intensa e do solo úmido - feito leito de raízes, folhas e flores em novo ciclo da vida. Coty, que marca a história da perfumaria, cria um perfume em clara alusão aos cheiros orquestrados pela ilha grega. Mal sabia ela que ao propôr o perfume Chypre estaria também lançando uma nova família olfativa. 100 anos passados e ainda apreciamos o estilo, apesar das reformulações.
Para ser considerado chypre um acorde é necessário: bergamota, com seu dulçor cítrico deve estar sobre a base do verde amassado terroso musgo de carvalho. Assim foi por décadas, mas a constatação de que a essência de bergamota causava manchas na pele, e que musgo de carvalho provocava outros dissabores, obrigou os Perfumistas a buscarem alternativas. Partimos para o campo dos sintéticos. Não agradou muitos narizes. Partiram, então, para a formulação de Chypres com outras perspectivas. Assim... temos os Chypres Modernos, que substituem a bergamota por outras variações de laranja, grapefruit, morango ou suas folhas, cassis... frutas que tenham as características de serem suculentas, doces e cítricas a um mesmo tempo; e o musgo? Substituído por vetiver ou ainda patchouli trabalhando-o mais para o lado cheiro de terra.
Ainda quero conversar mais sobre essa amada família Chypre, mas hoje ocorre um fato histórico em nosso VB. Pela primeira vez um perfume ganha mais de 1 resenha. Ele é Luna, lançamento 2014 da Natura, que se enquadra perfeitamente na categoria Chypre moderno.
Vem comigo.
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| Resenha Perfume Luna da Natura. |
Luna sobre a pele. Meu nariz busca o cheiro.
Grapefruit com goiaba e almíscar.
Doce azedinho dessa "laranja" americana que "soa" efervescente e intensa. Umas gotinhas de calda de goiaba pingam sobre a fruta, enquanto uma lufada de brisa limpa, macia de almíscar sopra sobre a pele. Goiaba? Então... não é oficial, mas acabo sentindo-a no começo do perfume.
Chypre? Cadê? Nada! É perfume frutal, penso eu.
Prossigo em minhas incursões sobre a pele e por 20 minutos nada mais acontece.
Já estou quase desistindo de ser surpreendida quando...
Opa? O que é isso? Quem está aqui?
Pequeno bouquet de rosas e um tímido Jasmim começam a exalar junto com a doce cítrica grapefruit. Perfeito equilíbrio. As flores parecem ter umas gotinhas de mel. Sinto aquele cheiro doce denso pesando (no bom sentido) todo esse fulgor cítrico e leve de frutas com flores. Laranja doce? Tangerina? Mexerica? Ah. serve uma misturinha das duas? Não na saída, mas sinto-a no coração.
Coração amadurecendo de maneira chic. Como assim?
Pois já te conto. Os primeiros chypres modernos que conheci foram os da maison Chanel, como Coco Mademoiselle Edp e Edt, Chance Edp e Edt e os da casa Dior, Miss Dior Chérie e suas tantas versões. Por eles terem sido meus primeiros... associo sempre Chypre Mderno a cheiro Chic.
Tá, conta logo...
Pois então, o coração do Luna é chic, pois ele vai lá passear na vizinhança da Chanel e da Dior, como a campanha elegantemente (de) anunciava:
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| Progagandas Chanel 5 com Nicole Kidman, Coco Mademoiselle com Keira Knightley e Natura em Luna (parecidinhas, concordam?) |
Laranja, rosa, flor de laranjeira, doce melífluo e denso com? Patchouli meio terra meio chocolate amargo. Doce amargo terroso. Tudo junto na base, como sustenando as frutas cítircas e flores cremosas. Luna compartilha esses acordes com Chance, Mademoiselle e Miss Dior.
Não são iguais, nem parecidos, mas têm o mesmo estilo e participam da mesma Estante na História da Perfumaria, assim como o fazem Eudora Eau de Parfum, J`aime La Perla, Quizás Quizás Quizás.
- Projeção: média baixa. Perfume mais discreto sendo percebido à distância de um braço por 2 horas, depois mais rente à pele.
- Fixação: 5 horas.
- Perfumista: Veronica Kato
- Designer Yoann Saura
Estamos, meus caros, não diante do primeiro chypre moderno brasileiro, pois Boticário e Eudora já construiram propostas semelhantes, mas sim diante do primeiro da casa Natura.... e afirmo ainda: não parece ser Natura. Como assim?
Luna tem uma proposta toda contemporânea, traz cheiros globalizados, e pela primeira vez vejo Natura saindo de sua assinatura breu / priprioca / cheiro de mato amargo que eu e tantas leitoras e leitores sempre sentimos.
Natura ampliando sua Missão e perspectiva?
Creio que sim. Para o bem ou para o mal, Natura não cheira mais só a Brasil.
Vale à pena ouvir a perfumista Veronica Kato e o designer Yoann Saura comentando também sobre Luna Natura <3 Muito amor, Natura, façam sempre isso... muito bom mergulhar na história da criação do perfume! Parabéns!
Agradeço ainda mais a Nádia Gradiski que, ao ver minha agonia por falta de amostra, se dispôs a enviar lá de longe um flaconete para eu conhecer. Obrigada pelos carinhos manifestos de muitas formas, Nádia, por me ler, se mobilizar, doar seu tempo e amostra em nome da paixão por perfumes.
Abraços perfumados.
































