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RESENHA PERFUME VENT VERT BALMAIN

18 comentários :
Há 67 anos a perfumaria desejou participar politicamente do momento pós-guerra. A intenção era marcar olfativamente as pessoas com novos ares e possibilidades. Penso que de maneira muito acertada, Balmain representou esta ânsia pela vida através do cheiro de um vento verde - natureza, vida nova. 

RESENHA DO PERFUME VENT VERT BALMAIN - VILLAGE BEAUTÉ
Novos ares expressos no perfume Vent Vert, da Balmain. Na foto a versão 1990

O perfume Vent Vert, o "vento verde", representa esta lufada de vigor que americanos e europeus precisavam naqueles idos tempos.  Nasceu em 1947 o primeiro perfume verde para mulheres, sem qualquer vestígio de flores românticas - afinal era tempo de revigorar a alma. Passados alguns anos, Vent Vert foi reformulado (1990) e em seguida uma vez mais refeito (1999) para atender às demandas químicas da vez. O que conhecemos hoje, 2014, não necessariamente é algo pior ou melhor, mas certamente algo na mesma linha olfativa daquele primeiro perfume político. 

Em minha vida Vent Vert ganha contornos mais afetivos. Cheirá-lo é viajar aos tempos infantis vividos na casa paterna. O cortar da grama, o podar do roseiral, o aguar flores, plantas e terra em fim de tarde tórrido no verão. Vent Vert cheira com muitas nuances, mas incrivelmente a perfumista que o fez conseguiu juntar essências e contrastes todos absurdamente verdes. Ele é o perfume com cheiro mais verde que conheço, mais que Cristalle e 19, Chanel.
PERFUME VENT VERT
Atual frasco do perfume Vent Vert da Balmain - agora também vendido no Brasil.

Sinto cheiro intenso de grama recém-cortada; folhas arrancadas de caules; resma da casca da laranja azeda (aquela lima, sabe qual?); sinto verbena em um chá-verde amargo! E que tal ainda acrescentar uma raspinha de limão e uma folha de manjericão? Ah, sim.... Vent Vert é verde natureza, verde vida, cheiro ar puro, cheiro vida que se renova. E no balançar das folhas Vent Vert mostra um coração menos rasgante e mantém seus muitos cheiros verdes mais macios com um toque muito leve, muito discreto de íris e um caráter atalcadinho. Assim fico viajando no tempo envolvida nas lembranças infantis  impulsionada pelas esperanças de nova vida; quando volto a cheirar minha pele e o sinto, depois de horas, está mais pé-no-chão, menos vento, agora mais cheiro de casca de árvore, terra molhada.

Aos amantes da natureza,
aos apreciadores de arte na perfumaria,
aos que querem perfume para primavera-verão
Vent Vert é perfume riquíssimo em nuances.

Toda a força das folhas verdes amassadas, cascas de laranjas e limões rasgados, chás verdes sem açúcar, a vida foi dura (ou ainda?), mas temperada é com o pé na terra, no chão, na madeira.

Perfume que aplaudo de pé, por seu impacto olfativo e por sua disposição política.
Projeção elegante, não abusiva, nem tímida demais.
Fixação digna de um cavalheiro, fica em minha pele o dia todo, enquanto for necessário. (10 a 12 horas).

Perfumista da versão da década de 90: Calice Becker com notas como limão, bergamota, neroli, manjericão, gálbano, calêndula, ylang ylang, rosa, jacinto, lírio do vale, tempro, musgo de carvalho, sândalo, cedro e íris.  

Para algumas curiosidades: 
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