PERFUME TEM QUE TER - JÚLIA SIMONI


 Vocês verão, a seguir, o pq convidei Júlia a que participasse da tag de hoje... vem como se encantar com as palavras intensas de Júlia e suas histórias sobre aqueles perfumes que ela Tem que ter.

"Tenho que ter", reflito, e logo concluo que a minha concepção sobre estas três palavrinhas talvez não se encaixe naquilo para o qual esta sessão foi concebida. Ou talvez se encaixe até demais! Percorrendo os posts anteriores daqui do Village Beauté, deparo-me com uma singela explicação de Dâmaris: o perfume "tenho que ter", dentre outras coisas, é aquele que me deixa tensa ao perceber que está acabando. Opa! Agora tudo faz sentido!
Não tenho um, mas DOIS perfumes que "tenho que ter". Não são perfumes famosos, nem requintados, nem originais. São cheiros comuns e praticamente inofensivos ao olfato alheio. Mas significam. E como! 

Dezembro de 2007. Depois de uma terrível véspera de natal no ano anterior, finalmente meu namorado e eu pudemos celebrar juntos. A cena é digna de uma campanha d'O Boticário. Ele pega uma caixa sob o pé da árvore: uma caixa grande, cor-de-rosa com um laço de cetim. Dentro, um kit do perfume Glamour, acompanhado de uma frasqueira preta e de um cartão. No cartão, uma lenda bem popular por estas bandas. Pronto! Lá estava o meu primeiro perfume "tenho que ter". 

Reza a lenda que ao se ganhar um perfume, você ganha uma promessa de amor duradouro. Se o perfume acabar, também acaba o amor. A mesma lenda informa que, para se evitar isto, não se pode usar o líquido até o fim, e que apenas a pessoa que te presenteou pode se desfazer do frasco. Assim, ao avistar as últimas gotas, entreguei meu primeiro frasco ao meu namorado - hoje meu marido -, e ele, talvez mais ressabiado do que eu em relação à lenda, preferiu guardá-lo a colocar "em risco" o nosso relacionamento. 

Glamour está comigo desde então. Tão logo um frasco chega aos últimos suspiros, ganho um novo, e a coleção de frascos vazios do meu marido só vai aumentando. 

O outro perfume que "tenho que ter" também está envolto por um certo misticismo. É o meu "perfume da sorte", sendo o meu favorito por inúmeros motivos. Foi o primeiro que decidi que queria depois de vários dias de teste na perfumaria da qual fui vizinha, na época da faculdade. Até então todo o meu "conhecimento perfumístico" cingia-se a alguns perfumes d'O Boticário, mais alguns clássicos importados que viviam no armário da minha avó. O ano era 2009. Não faz tanto tempo assim. 

Ganhei meu Omnia Crystalline EDT dos meus pais, juntamente com um Miracle. Foram, respectivamente, meus terceiro e quarto perfumes importados, pois desta categoria eu já tinha possuído somente um Ralph - que eu nem gostava tanto assim -, e um L'Eau par Kenzo. Cresci numa casa em que Thaty era um parâmetro, e que tudo o que fugisse da linha floral-refrescante-suave era considerada forte demais (e aqui se encaixava o meu Ralph). Foi no Omnia, contudo, que eu me enxerguei. Sentia que, naquela fase, se eu fosse um perfume certamente seria o Omnia Crystalline EDT. E não ofenderia a ninguém. 

Omnia Crystalline esteve comigo em diversos momentos decisivos nestes últimos cinco anos. Não demorei a perceber que o universo parecia "conspirar ao meu favor" nos dias em que eu o usava, começando pela minha aprovação na OAB, dois meses depois de ter ganhado o perfume. E eu nunca fui fiel a este ou àquele cheiro. Revezava-me entre o Omnia, o Miracle, o L'Eau, o Glamour e o Breu Branco (Natura Ekos), mas, nos dias mais significativos, era o Crystalline que estava comigo. Alguns dizem que ele não tem nada de especial; para mim, o conforto e a segurança que ele me proporcionam, bastam. "Tenho que ter" comigo; é um amuleto, e, ao cheirá-lo, sinto como se ele me recitasse o mantra: "Acalme-se; tudo ficará bem". 

Meu frasco está nas últimas gotas. Ainda não decidi se o usarei até o final, ou se o guardarei realmente como um talismã. Pelo sim, pelo não, acho que irei guardá-lo. Com a sorte não se brinca, e não estou disposta a abrir mão da minha. 

Pois é. Estes são os dois perfumes que "tenho que ter". Depois de ambos entrarem na minha vida levou ainda um bocado de tempo para que eu descobrisse que há uma vastidão de outros cheiros a serem desvendados, e que meu nariz é capaz de apreciar - e muito! - mais do que alguns florais frescos. Todavia, são o Glamour e o Omnia Crystalline EDT que deverão se perpetuar na minha coleção, pois, sutilmente, conquistaram um espaço no meu coração não pelo odor em si, mas pelos sentimentos que evocam!

Agradeço, Dâmaris, pelo convite. Cheguei aqui em meados de 2011, e permaneci quietinha por muito tempo, absorvendo o que eu podia das tuas resenhas, enquanto o universo perfumístico se revelava para mim. Entre comentários esparsos, sempre respondidos por você com toda a delicadeza e educação possíveis, percebi que uma revolução olfativa se operava em mim, e, uma vez guiada, comecei a engatinhar - sim, porque ainda engatinho - nesse campo sensorial recém-descoberto. Obrigada por aguçar-me os sentidos, fazendo com que eu experimente a vida de forma mais intensa! 
Abraços e fiquemos todos com Deus!  

Júlia, já havias me marcado por teus comentários ao longo das postagens. Sempre acrescentas, ensinas, aprendo. Em tuas palavras sempre há conteúdo.... e hoje cá estou lendo-te e tomando consciência de algo importante que fiz em tua vida. Muito obrigada por expressar esta revolução olfativa.... muito obrigada. Com carinho.

3 comentários :

  1. Também sou dessas que vê muito no belo Crystalline. E no lindo Miracle, minha mais recente paixão.

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  2. História interessante de amor.....e de vitória pessoal. Esta menina sempre tem comentários tão intensos e fortes, eis aqui um pouquinho do que ela sempre demonstrou ser em seus comentários.....forte e decidida.

    Preciso providenciar esse Glamour para mim, desde que cheirei no papelzinho, não mais saiu de minha memória....e o Omnia é bem isso que tu diz....acalma, sereno e feliz!

    Um beijo Júlia

    Malú

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  3. Ufa! Depois de uma semaninha bastante complicada, finalmente consegui um tempinho para passar por aqui!

    Vanessíssima, apesar de atualmente estar afastada do Facebook, lembro-me de que não foi nem uma nem duas vezes em que li, nos grupos, críticas acerca do Crystalline ser superestimado. E, movida por essas críticas, cheguei até a trocar um perfume meu pelo Essencia de Duende (Jesus Del Pozo), que (disseram) seria um Crystalline mais potente e mais barato. Bah! rs! Não que ele seja ruim, mas o Crystalline me entrega uma experiência olfativa completa, enquanto que o EDD parece faltar alguma coisa. O Miracle, por outro lado, me marcou por um fator curioso: eu sinto o "gosto" do perfume. Foi o primeiro que senti e que pensei: "Ahn? Tem 'algo mais' aqui!" rsrs! Aproveitando a oportunidade, adooooooooooro o modo como vc escreve!!!

    Malú, muito obrigada por suas palavras! Não sei se sou assim tão "forte" (acho que estou mais para chata! hahaha), mas é sempre um prazer encontrar pessoas inteligentes, doces e educadas pela blogosfera, que te ensinam e te incentivam, e que, mesmo não as conhecendo pessoalmente, pelas quais você acaba desenvolvendo um carinho muito grande! É assim que me sinto em relação a ti, a Dâmaris, a Van (aí em cima), a Lu Vilela, e a tantas outras boas almas com as quais deparei-me no universo cibernético! Obrigada por vocês existirem!

    Beijos a todos!

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